IMPIEDOSO: “[Quase] 20 anos dedicados ao Underground nacional” – (ENTREVISTA EXCLUSIVA)

Prestes a comemorar 20 anos de carreira, o IMPIEDOSO acaba de lançar um dos principais trabalho de Black Metal de 2017. Intitulado “Reign in Darkness”, o novo full length do grupo já começa a ganhar um forte destaque na mídia nacional e internacional. Hoje conversamos um pouco com o baixista e co-fundador da banda, para sabermos um pouco mais deste trabalho, seus projetos para o restante do ano e muito mais. Confira:

 

Antes de mais nada, fale um pouco da história do Impiedoso.

NAHASH – O IMPIEDOSO iniciou sua trajetória, sob esse nome, no fim da década de 90, mais precisamente em 1998, quando a horda Imperium Tenebrae teve seu fim. Eu e Agranamariu nos unimos com Azoth para darmos continuidade à profanação das doutrinas religiosas.  Azoth assumiu os vocais, Agranamariu  permaneceu na guitarra e eu toquei bateria até a gravação da primeira demo (Master of Darkness), em 1999.  Após o suicídio de Agranamariu, houveram algumas mudanças de formação, mas o ódio às falsas doutrinas permaneceu inalterado. Em 2004 gravamos Unholy Prophecy (ao vivo), em 2009 foi o Abismo da Desgraça e agora, em 2017, concluímos Reign in Darkness.

 

Vocês estão nesse momento em fase de divulgação do novo álbum “Reign in Darkness”. Como está sendo?

NAHASH – Diria que a divulgação ainda está na fase inicial, pois ainda não subimos ao palco depois do lançamento, algo que esperamos fazer em breve. Houveram alguns problemas de ordem pessoal na horda que nos impediram disso, mas já está resolvido, já a divulgação através das mídias digitais está excelente. Muitos falavam que disponibilizar para ouvir gratuitamente no Bandcamp, por exemplo, atrapalharia as vendas do material físico e eu acho que não foi bem assim, garanto que quem se dispõe a ouvir esse álbum com a devida atenção, e curte Black Metal, fará questão de tê-lo em mãos.

Ouça no Spotify:
https://open.spotify.com/album/0y0vJQAg5U0GvQgV7tV3Kn

Algum motivo em especial para o título?

NAHASH – O título “Reign in Darkness” pareceu traduzir bem (pelo menos para nós) o que está gravado ali.  Quando você ouve uma música qualquer, de qualquer estilo, algum sentimento é despertado, pode ser ódio, calma, frustração, enfim, qualquer coisa. E quando nos reunimos para ouvir todo o trabalho totalmente finalizado, foi em um ambiente completamente privado de luz, estávamos nas trevas, nossa concentração estava apenas voltada ao sentimento que aquilo nos traria e foi assim, de forma unânime, que conseguimos transpor nas palavras “Reign in Darkness” aqueles sentimentos sombrios, de fúria e poder, que exaltavam dali.

 

E como tem sido a receptividade do público?

NAHASH – Muito boa mesmo!! Os comentários que surgem todos os dias são ótimos!! Como eu disse antes, quem está investindo um tempo de sua vida para ouvir esse álbum, não está se decepcionando e isso é gratificante, pois tudo isso que fizemos e fazemos, é verdadeiro, é real. Quem nos conhece, sabe que não tocamos por tocar, nós vivemos tudo isso, batalhamos por nossa ideologia. E estamos há muito tempo fazendo isso. Então escutar alguém dizer que este é um dos “melhores álbuns de Black Metal” que já ouviu, é, no mínimo, revigorante!

 

Como se deu a parte de composição, gravação e produção de “Reign in Darkness”?

NAHASH – Estamos à bastante tempo na ativa, então temos muitas músicas já feitas. Muitas delas sequer estão nas demos, na verdade, temos músicas  para gravar pelo menos mais dois ou três álbuns semelhantes à esse e esse já tem uns setenta minutos (risos). Mas gravar esse álbum foi estressante, as composições já estavam ali, mas cobramos muito de nós mesmos para fazer algo bem feito sem perder a essência “underground”. As músicas foram muito lapidadas, boa parte  consequência natural devido a  longevidade da banda e das músicas, mas também por causa dessa pressão de fazer algo “a mais”. A gravação foi bem demorada, a dedicação foi enorme, mas o importante é que gostamos do resultado. Tanto das músicas, quanto da arte do álbum.

 

Qual é a principal diferença deste, para os outros trabalhos da banda?

NAHASH – Nunca tivemos a pretensão de fazer algo mais, digamos, “trabalhado”. Vivemos aqueles bons tempos do vinil e fitas cassete.  Muitas coisas apareciam aqui com uma qualidade péssima, mas mesmo assim curtíamos como loucos (risos). Naquela época, mesmo que quiséssemos, era muito difícil encontrar um estúdio na região com aparelhagem boa para gravação, e pessoas que saberiam mixar e masterizar esse estilo de som. Então sempre estivemos habituados àquele som mais cru, mais sujo. Praticamente todos nossos trabalhos anteriores foram gravados em apenas um “take”. Já no “Reign in Darkness” decidimos experimentar algo diferente. Quando o Mortuum entrou na horda, em 2013, chegou cheio de energia e fúria, então demos uma “sacudida na poeira” e resolvemos sair da nossa zona de conforto e o resultado foi melhor que o esperado.

E os próximos passos da banda? Videoclipe? Turnês?

NAHASH – Estamos agendando datas para uma turnê nacional. Logo anunciaremos o caminho dessa profanação! Em paralelo estudamos a gravação de um videoclipe e também de um 7EP.

E estamos há muito tempo fazendo isso. Então escutar alguém dizer que este é um dos “melhores álbuns de Black Metal” que já ouviu, é, no mínimo, revigorante! – Nahash (baixista – IMPIEDOSO)

O mercado musical mudou muito em todos esses anos, com a questão do download e a própria divulgação nas redes sociais. Como inserir uma banda, como é o caso do Impiedoso, nesse meio tão concorrido?

Sinceramente não estou preocupado com isso. Não estamos aqui por dinheiro ou algo nesse sentido.  O IMPIEDOSO estar mais exposta hoje, apenas reflete nossa vontade de compartilhar nossa ideologia e não deixar que o metal enfraqueça. Queremos que os headbangers compareçam em shows e apreciem os hinos junto às bandas. Que batam cabeça junto com às hordas que merecem respeito. E que reflitam sobre essa hipocrisia cristã, acredito que qualquer banda que fique mais em evidência, deva ser pelos seus méritos, pelo que ela prega e faz. Nosso som está aí para todo mundo ouvir, se os headbangers acharem que nós merecemos seu respeito pelo que fazemos, ótimo!  Estaremos juntos nessa guerra como eternos aliados, se não gostarem do que fazemos, paciência, estaremos na batalha de qualquer maneira, como sempre estivemos.

 

Qual avaliação que a banda faz do cenário underground brasileiro atualmente?

NAHASH –  Tem muitas bandas boas por aí, e precisamos apoiá-las. O grande problema é a quantidade de shows. Infelizmente é impossível comparecer em todos. E nem todos são bem organizados e tem a atenção que deveriam, o que pode afastar as pessoas. Auxílio com custos de eventos (de metal) através de verbas provenientes das leis de incentivo à cultura, é nula, então todos aqueles que fazem essa cena acontecer merecem os parabéns. Tudo é contrário a isso, e mesmo assim estamos aí!!

 

E do Sul, no Metal catarinense, como é a cena?

NAHASH – A cena catarinense é bem reconhecida pelo país, temos grandes bandas, grandes festivais e headbangers maníacos em todos os cantos. (risos). Óbvio que poderia ser ainda melhor, mas não duvido que toda essa cena cresça ainda mais nos próximos anos, e em todo o país, o Brasil é uma referência mundial no Metal, ainda mais no Black Metal, vamos mostrar o que sabemos fazer!!

 

Por fim, deixem um recado para os fãs da banda e para todos aqueles que querem conhecer mais sobre Impiedoso.

NAHASH – Agradeço a oportunidade! Para aqueles que nos conhecem, saibam que estaremos juntos até o fim nessa guerra contra os falsos!! E a todos os maníacos que estão por aí em suas batalhas individuais contra essa hipocrisia que nos cerca: continuem firmes!! Ainda vamos nos encontrar para destruir juntos essa falsa moralidade das igrejas!! HAIL!!

 

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